quinta-feira, 3 de setembro de 2015

‘Navegar é Preciso’ é lançado em Búzios

   Livro mostra dois segmentos fortes, importantes, pouco falados no Brasil e muito atuais em tempos de crise: a Indústria Naval, o sindicalismo no setor e como a justiça trabalha essa relação.

Foto: Divulgação (photo: )

 
 
 
 
 
 
 
  Vinda do Rio de Janeiro a professora Luisa Barbosa escolheu um tema um pouco não muito usual entre o sexo feminino, para se dedicar a escrever um livro. Mas sua história, recheada de momentos marcantes, a levou a explorar o universo naval desde muito nova.
    Com apenas 14 anos de idade, Luisa estudou em uma escola técnica em Marechal Hermes e foi lá que teve contato com uma realidade ampla e ao mesmo tempo cruel de desigual. Foi assim que ela deu o seu primeiro passo: ser professora.
   Atualmente a professora que também é doutora em sociologia pela UFRJ, com doutorado sanduíche em história contemporânea na Universidade Nova de Lisboa e no International Institute of Social History, se dedica a arte de ensinar na cidade de Búzios, onde leciona sociologia e filosofia em dois colégios.
O livro
   Seu mais recente desafio foi a criação do livro ‘Navegar é Preciso’, resultado da tese de doutorado, defendida no ano passado onde duas vertentes fortes, foram o ‘norte’ de seu projeto: a indústria naval no Brasil e a questão do sindicalismo no próprio setor naval e como a justiça atua nessas áreas.
   Em tempos de crise, esse parece ser um tema um tanto quanto fora do contexto, mas ao entender um pouco sua proposta, seu conteúdo se revela essencial atualmente. “Através de uma análise realizada durante o período em que estive em Amsterdã e Lisboa, em virtude do doutorado sanduiche, pude traçar um panorama geral do comportamento dessa indústria no mundo. Percebi que este setor, por tratar de uma mercadoria complexa, cara e demorada para ser produzida, é extremamente dependente do investimento público e do Estado, seja com subsídios, como gestor, ou como principal comprador. O mercado privado, geralmente, não tem fôlego para tamanho investimento. Tal fato é claramente visualizado no momento atual. Após a retração do principal investidor do setor naval, a Petrobras – especialmente no segmento de petróleo e gás – a indústria naval brasileira mais uma vez enfrenta uma profunda crise, com estaleiros fechando as portas e trabalhadores desempregados.” Explica a autora.
Foto: Divulgação
    Um outro ponto levantado pela autora é sobre o sindicalismo em nosso país, onde a Justiça se faz presente intermediando cada vez mais os conflitos entre capital e trabalho. “No livro defendo exatamente o oposto, apesar de identificar a existência desse cenário de protagonismo do judiciário. Procuro demonstrar que a “Judicialização” no âmbito do trabalho não é nova. Ao contrário, faz parte de nossas relações de classe desde o início do século XX. O sindicalismo no Brasil se forjou a partir desse cenário e recorreu (assim como ainda recorre) à Justiça do Trabalho principalmente em momentos de impasse e/ou crise. Essa recorrência, contudo, não se dá de forma passiva, mais ativa. Os sindicatos lutam com as armas que dispõe em cada momento combinando a recorrência à Justiça com greves, piquetes e mobilizações.” Finaliza.